Dicas para organizar as tralhas de casa

Cama, Mesa e Banho  :  10 de novembro de 2011


Jornal da semana inteira empilhado no canto da sala, documentos de cinco anos atrás, revistas que nunca mais serão lidas jogadas pelo quarto e roupas encalhadas no guarda-roupa. Parece um caos, mas a cena faz parte do dia a dia da maioria das casas. “O principal problema é o acúmulo de objetos por apego emocional e financeiro. As pessoas guardam aquilo que adoram, não o que usam”, explica a personal organizer Ingrid Lisboa.

O ideal, e recomendado por especialistas, é fazer duas limpezas gerais: no fim do ano e após o aniversário. “São duas datas perfeitas para renovar e descartar”, acrescenta.

Mesmo que a bolsa tenha custado uma fortuna há décadas, não é motivo para continuar no armário. Obviamente, ela não tem o mesmo preço, mas pode ser repassada para amigas, vendida para brechós ou doada para instituições de caridade. “Se a pessoa acha que vai usar a peça, ela provavelmente não vai – ainda mais se tiver guardada por mais de dois anos”, analisa.

Outro caso típico é a mulher que quer emagrecer e mantém todas as roupas antigas. De acordo com Ingrid, é um erro. “Ela não tem previsão de quando vai conseguir perder peso e até sente aflição ao perceber que nada mais cabe, mas está presa à época em que era magra”, revela. “Quando voltar ao corpo anterior, a tendência é querer enlouquecer no shopping, não usar o velho”.

Verdade seja dita: mais importante do que encontrar uma nova utilidade é encontrar um novo destino. “O que não é nada para alguém pode ser um achado para outro. Um casaco sempre vai ter a mesma função, mas pode favorecer um dono diferente”, diz. Tática inteligente para não acumular vestuário demais é manter sempre o mesmo número de cabides. A lógica é simples: sempre que comprar uma peça, escolha outra para doar.

Os trabalhos escolares dos filhos são tão lindos que jogar no lixo nem se torna uma possibilidade, certo? Mas, com o passar do tempo, a solução é guardar apenas os melhores numa caixa. Se ainda for criança, uma dica é transformar os desenhos em adesivos para decorar o quarto ou a sala de brinquedos.

Problema também recorrente é o vestido de noiva, que ocupa muito espaço e não tem mais proveito – a não ser remeter a um dia especial sempre que o guarda-roupa for aberto. Não vale a pena insistir na manutenção, principalmente se envolver dinheiro. “Algumas clientes são casadas há mais de 15 anos e o mandam para a lavanderia a cada seis meses. Não faz sentido. Uma alternativa é transformá-lo em vestido de festa”, aconselha.

Jornais e revistas

- Se você assina jornal e não vai usá-lo depois, o lugar certo é a lixeira. “Ainda mais porque esse tipo de publicação fica velho de um dia para o outro”, lembra. No caso de revistas, recorte a matéria que mais interessar e cole num caderno ou ponha numa pasta com plásticos – que deve ser separado por assunto. Além de otimizar o espaço e evitar bagunça, será mais fácil encontrar quando quiser consultá-la novamente. Uma outra opção é escanear e armazenar no computador.

Documentos

- Cada conta tem um prazo específico para ser guardada. IPTU, por exemplo, são dez anos, enquanto a de luz são apenas cinco. “Um cliente tinha um B.O. (boletim de ocorrência) da década de 1970. Não vale mais nada, já foram mais de 30 anos”, avisa. Deixe as contas de todos os meses separadas numa pasta com plástico de acordo com o tipo: seguro do carro, luz, gás, internet e assim por diante. Quando virar o ano, transforme todos esses tópicos em apenas um.

- Se tudo estiver programado para ser pago em débito automático – e, consequentemente, os extratos podem ser visualizados pela internet -, jogue fora as correspondências. O mesmo vale para segunda via de cartão e canhotos de cheque: se o pagamento foi autorizado, não tem por que continuar na gaveta. “As pessoas perdem muito tempo e dinheiro com desorganização: se estressam, não dormem bem pensando nas tarefas do dia seguinte e não combinam visitas porque têm vergonha da bagunça”, exemplifica. “Já escutei muitas histórias de gente que chegou atrasada no trabalho porque não sabia onde estava a chave do carro”, adiciona.

Viagem

- Folders, cartazes, guardanapo do restaurante chique de Paris, passagem, ingresso do teatro ou entrada da casa noturna. Durante uma viagem, tudo tem um significado, mas é incabível reservar um lugar para todas as recordações – a menos que você faça um scrapbook. Escolha os preferidos e guarde numa caixa etiquetada.

Brinquedos

- É essencial ensinar para a criança a importância de se deixar tudo organizado. “No fim do dia, meu filho diz que está cansado e que não quer guardar os brinquedos. Eu pergunto: na próxima vez, você quer procurar ou brincar?”. É muito mais rápido organizar do que perder tempo tentando achar.

Despensa e garagem

- Segundo a personal organizer, existem dois princípios básicos para ficar longe da desordem: cada objeto precisa ter seu próprio lugar. “Se seus óculos e suas chaves não têm onde ficar, crie um local fixo”. Na despensa, não coloque as compras de acordo com o que sai da sacola: cada item deve ter seu espaço. No caso de ferramentas, coloque as chaves numa caixinha e os parafusos em outra. “Leia a etiqueta como se estivesse escrito ‘somente’ na frente”, recomenda.

Demora, dá trabalho, mas compensa. “De acordo com estudos de neurociência, o cérebro leva de 21 a 28 dias para se acostumar com uma nova rotina. Depois de descartar, organizar e etiquetar, é natural procurar os objetos onde ficavam antes”, diz. No fim, com a casa arrumada, é só fazer a manutenção.

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